O sertao resiste ao DESERTO

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O clima do sertão do Nordeste é ao mesmo tempo imensamente constante e absolutamente imprevisível. O sol é o constante. Por lá, o calor de 30 e muitos graus se repete em praticamente todos os dias do ano. A chuva é a imprevisível. No sertão não chove quase nunca, quando chove chove muito, e às vezes passa anos sem chover.

Sempre foi assim. Dom Pedro II visitou a região em 1877 para prestar solidariedade ao povo, quando uma seca matou mais do que a Guerra do Paraguai. Portanto, culpar as mudanças climáticas pela seca que, neste exato momento, assola o sertão, seria absurdo.

Mas o cenário preocupa, por dois motivos:

– A temperatura efetivamente está subindo – tanto as mínimas quanto as médias quanto as máximas. Todos os modelos indicam que continuará subindo. Mais calor significa mais evaporação, e o sertão já vive um deficit hídrico.

– O regime das chuvas, que sempre foi imprevisível, continua imprevisível. Aparentemente, a quantidade de água que cai não está mudando muito, mas ela está ficando cada vez mais concentrada no tempo. Às vezes chove num dia quase a água do ano inteiro. Tradicionalmente chove quatro meses e estia oito: é possível que a proporção esteja mudando para 2/10.

A combinação desses dois fatores aponta para um desastre natural: a desertificação. Soa estranho chamar desertificação de “desastre”, porque essa palavra geralmente é usada para eventos súbitos, rápidos, e a desertificacão se arrasta por anos. Mas seu caráter “desastroso” é inegável. Desertificação significa a morte das lavouras e dos animais, a falência do setor agrícola, a migração em massa da população rural, o alastramento de doenças infecciosas, o aumento da mortalidade infantil e mais um monte de coisas. Deserto é como câncer. Ele cresce. A presença dele por perto diminui os nutrientes do ambiente – e aí as plantas vão morrendo e ele vai avançando.

Mas a ligação entre o clima e a desertificação não é determinística. Existem seres capazes de deter o câncer. As plantas da caatinga estão adaptadas à incerteza do ambiente (sol sempre, chuva sabe-se lá quando). Elas sobrevivem quase hibernando quando o sol torra e ficam imediatamente verdes à primeira gota. Com elas, o deserto não avança, porque as raízes protegem o solo e retêm a água.

Manter a caatinga de pé é chave para o futuro do Nordeste, e não será fácil. A caatinga é hoje o bioma mais ameaçado do Brasil : 70% da sua cobertura original já foi modificada. A maior parte do desmatamento é para produzir lenha para as indústrias siderúrgica e do gesso. Há várias alternativas para essas indústrias: entre elas madeira de caatinga de reflorestamento. Menos simples é encontrar alternativas para o agricultor pobre que ainda vê no desmatamento para produzir lenha sua única opção. A possibilidade de cada família ter uma cisterna que guarde a água da chuva para alimentar um pomar-horta por gotejamento abriria várias possibilidades.

Outra questão central é garantir recursos hídricos para a população. O Nordeste ainda tem algumas das taxas mais baixas do país de acesso aos sistemas de água e esgoto, o que complica a convivência com um clima incerto. Nesse contexto, o polêmico projeto de transposição do rio São Francisco poderia ser um acerto: o rio garantiria um fluxo de água ininterrupto sertão acima. Mas o problema do sertão nunca foi a falta d’água: chove o suficiente, apenas de maneira irregular. Todos os hidrólogos e meteorologistas que consultamos afirmam que, se o objetivo é fornecer água para o abastecimento das cidades e das pessoas, mais importante do que cruzar sertão com o São Francisco seria melhorar o sistema de captação das águas da chuva, conectando os vários açudes para que um possa ajudar a manter o outro cheio.

A transposição interessa em especial porque ela poderia levar grandes volumes a estados como o Ceará. Isso viabilizaria indústrias que consomem muita água, como a siderúrgia e a criação de camarões. O Ceará precisa mesmo de atividades econômicas, até porque sua agricultura pode ser a mais duramente afetada pelas mudanças climáticas. Mas será que o melhor plano é mesmo erguer no sempre incerto semi-árido, em seu momento mais incerto, uma indústria que usa água intensamente?

Em agosto de 2010, realizou-se em Fortaleza uma conferência internacional para discutir os impactos das mudanças climáticas em regiões semi-áridas do mundo. O documento final do encontro, a chamada Carta de Fortaleza, traz o caminho das pedras para quem quer lutar contra o avanço do deserto. O documento destaca a necessidade de agir de maneira integrada, envolvendo as comunidades locais nas soluções.

 

figueiredo

matéria oportuna e verdadeira --- o semiárido é rico, tanto que sustenta 70% dos nordestinos --- apesar de aqui se explorar máximo e pesquisar mínimo --- não li a carta de fortaleza mas amadureci o caminho das pedras --- já descobeto, testado e aprovado --- carece de aperfeiçoamentos --- educar o povo, captar as chuvas e cultivar árvores --- sejam nativas ou exógenas vocacionadas à produzir alimentos, farmacos, fibras, energia, rações animais, madeiras e demais exigências da dignidade humana --- o resto é chover no molhado

Publicado em 30.08.2010

laio Anderson

Primeiramente, parabéns pelo texto publicado! Como a apresentação do problema da ausência especial da água em grande parte do Sertão. Claro que a gênese dessa complexidade é apresentada pela própria natureza, cabê a conjuntura política realizar projetos tecnológicos que possa distribuir a água que apresenta da Chuva e outra opção é distribuição da água do rio São Francisco. Por fim , a natureza sempre apresentou essa complexidade! Mas esta completamente ausente a prática política na área da agricultura no sertão, percebe-se que o problema se apresenta em outro lado, a posição de aqueles que estão no poder!

Publicado em 31.08.2010

João Bosco Soares dos Santos

Não é só o Nordeste que está sendo assassinado pelo homem; é o Brasil inteiro; é todo o globo terrestre. O homem, insensato, apático, preguiçoso ou medíocre está matando tudo o que é vivo, por estupidez, por desinteresse, por irresponsabilidade e por egoísmo desenfreiado e desumano. É preciso, urgentemente, que o homem aprenda e se convença que é preciso ser educado e respeitador de tudo o que tem vida na terra e cuidar das dores de todas as vidas da terra, porque a vida depende das vidas e a terra precisa de amor e de cuidados porque ela é parte essencial de todas as vidas.

Publicado em 10.09.2010

Henrique Sebastiao Fachini

Este artigo e um monte de asneiras e lugar comum, com informacoes fragmentadas, de alguem que nao tem a vivencia e o conhecimento do semi arido nordestino e nunca viu a caatinga, que se vale de dados ha muito divulgados e do conhecimento de ampla divulgacao (Desculpe, o meu notebook e padrao americano, nao tem acentos)

Publicado em 10.09.2010

aloisio costa de jesus

o problema dessas regiões não é o clima e sim o descaso ,politico ,social e ético ,vivemos periodos de incerteza quanto ao clima e o desgaste de nosso planeta ,o brasil ainda é um bebê se comparado a muitos paises onde praticamente se esgotou os recursos naturais ,metade da nossa fauna politica de espectro nacional usa a situação calamitosa desse povo como cavalo de batalha e nada faz para mudar esta situação ,o nó esta se apertando ,seria uma vergonha internacional se presenciassea -mos um exõdo humano dessas proporções .

Publicado em 10.09.2010

Aparecido Holanda

É um problema estrutural, cultural e político, todos já conhecem, muitos vivenciam e pouco se faz para atenuar as dificuldades e sobrevida do nordeste. Entra político sai político, seja na esfera federal, estadual e ninguém apresenta nenhum projeto ou alternativa de melhora para um problema que já é secular e vergonhoso. Espertos e dignos de criar esquemas, mais incapazes de apresentar soluções os políticos locais como em votação do senado se absteem e ignoram alternativas, ao contrário tiram proveito da calamidade regional em benefício próprio. Manter o povo pobre e ignorante é o lema para se perpetuar no poder, aliar a catastrofe natural à dependência e a preguiça como forma de vida, essa é a sociedade política do nordeste.

Publicado em 10.09.2010

Aparecido Holanda

É um problema estrutural, cultural e político, todos já conhecem, muitos vivenciam e pouco se faz para atenuar as dificuldades e sobrevida do nordeste. Entra político sai político, seja na esfera federal, estadual e ninguém apresenta nenhum projeto ou alternativa de melhora para um problema que já é secular e vergonhoso. Espertos e dignos de criar esquemas, mais incapazes de apresentar soluções os políticos locais como em votação do senado se absteem e ignoram alternativas, ao contrário tiram proveito da calamidade regional em benefício próprio. Manter o povo pobre e ignorante é o lema para se perpetuar no poder, aliar a catastrofe natural à dependência e a preguiça como forma de vida, essa é a sociedade política do nordeste.

Publicado em 10.09.2010

Antonio Tadeu de Andrade

Em maio de 1981 passamos dez dias no sertão Nordestino,especificamente no sertão de Pernambuco lá fundão mesmo,proximo a divisa com o Piaui. Durante aqueles dias pudemos constatar que o problema do sertão Nordestino é a má distribuição das chuvas que naquele local se concentrava nos meses de abril,maio e junho,mas durante esses meses até que chovia o necessario. Assim,o grande problema é o déficit hidrico nos demais meses agravado pelo Sol escaldante e assolador,uma medidida que poderia amenizar muito a seca seria a construção de açudes em cascata para armazenar toda água que cai durante as chuvas,é uma medida simples barata e de grande eficácia,nós propomos esta medida aos Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente por diversas vezes mas nunca obtivemos respostas.Parece que até o presente momento os políticos não querem amenezar a seca no Nordeste.

Publicado em 10.09.2010

valdemar batista alcarde

Que tal um slogan para uma campanha? PLANTE ARVORES NO PRESENTE PARA NÃO MORRER POR FALTA DE OXIGENIO NO FUTURO.

Publicado em 11.09.2010

valdemar batista alcarde

Figueiredo, você acertou em cheio no alvo. Mostrou que tem conhecimentode causa e efeito. Só falta o apoio de quem menos se tem neste pais, os políticos.

Publicado em 11.09.2010

thayany

parabens eu gostei muito desse texto

Publicado em 15.09.2010

figueiredo

sr.alcarde --- caatinga era e é bioma desconhecido --- nós catingueiros tinhamos uma convivencia, ancestralidade semi- adaptada, cultura propria--- modusvivendi quase ideal --- a prova --- vide desempenho na guerra dos canudos --- adveio o tal progresso consumista --- ao invés de se adaptar á caatinga, tentou europeizá-la --- ainda há tempo de com reeducação e pesquisa e nossa operosidade ser recomposta a sustentabilidade --- bote fé no nordestino

Publicado em 17.09.2010

rafael picone

seria pleonasmo dizer que os culpados disso tudo são os politicos mas essa e a pura verdade. Por isso os brasileiros que amam o Brasil de verdade deveriam se mobilizar e tomar atitudes realmente cabiveis nesses casos. Esperar pelos politicos e´´perda de tempo.Por isso afirmo que a soluçoes estão nas mãos dos proprios brasileiros que amam o BRASIL eqerem soluçoes,pois essas todos sabem quais são.

Publicado em 06.05.2011

Elvis Santos

O problema da irregularidade das chuvas não podemos dar jeito mas, se políticos que passam tanto tempo lá em Brasília achando que estão fazendo alguma coisa e de fato absolutamente nada, olhassem e pesquisasse um pouco sobre a caatinga e ajudasse com projetos de captação da água das chuvas que se perde porque aqui chove mas de forma irregular falo anteriormente.

Publicado em 28.02.2012

Laete Valentim dos Reis

O instituto de proteção a caatinga, (IPC). vem a se preocupar com a seca que asola a região de curaça -BA, com isso ta desenvovendo um projeto de construção de uma dutora que levara água do rio são Francisco para o topo de uma sera e levar água para varias comunidades por meio de gravidade, beneficiando uma grande quantidades de familias na aréa de serqueira.

Publicado em 02.02.2012

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Publicado em 08.01.2012

Maryland

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Publicado em 05.01.2012

xridxpk

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Publicado em 07.01.2012

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